quinta-feira, 5 de março de 2009



Quando o amor fala!


Ficara claro desde o início, porque assim ele fizera questão.Não haveriam de apaixonar-se um pelo outro, não."As paixões são para os incautos" , dizia ele.Quando partia, era sempre sem revelar seu destino, e sem nunca precisar o momento de sua volta.Ela nunca sabia quando, o reencontro.E eram únicos os momentos compartilhados.Ele podia passar horas discorrendo sobre os mais diversos assuntos.E ela, ouvidos atentos, sem perder palavra.Gostava de deixar-lhe pequenos mimos, bilhetinhos, recadinhos.No espelho do banheiro, na porta do armário, nos bolsos, na carteira, nos belos livros...Sem declarações de amor, porém.Ela cumpria, sempre.Ele nunca retribuía...nunca!E por mais que o combinado tivesse sido aquele, sentia-se de alguma forma negligenciada, deixada de lado.Não demorou para que tomasse a decisão de não voltar mais.Não havia compromisso.Não havia. Não voltaria, então.E num daqueles dias de sol e céu azul, em que ele costumava vir, ela não apareceu.Ele estranhou, mas não deu importância. Algo devia ter acontecido...Voltou nos dias que se seguiram, todos os dias.E ela não estava lá, onde sempre estivera...Não respondia seus chamados no telefone.Semanas se passaram, e a ausência que antes incomodava agora doía.Num daqueles dia em que atrasado, mal tinha tempo para o café, o copo de leite sobre a mesa, não conseguia encontrar as chaves do carro.Lembrou-se da chave extra, guardada no bolso de um paletó, em seu armário.Ao enfiar a mão no bolso em busca da chave, encontrou o bilhete, cuidadosamente dobrado. Ao abrir, reconheceu a caligrafia."Amo... Eu amo... Ahhhh, como eu amo!!!E assumo toda a minha culpa.Adeus."


Sentou-se na cama, o nó na garganta.Agarrou o telefone, os dedos nervosos, a voz trêmula ao chamá-la."Oi..." ela disse.Ele dispara:"Eu não sabia, que você...que eu...Volta?

"Volto... claro que eu volto! Eu nunca mais voltei..."

Desligou, aliviado. Não foi trabalhar.Passou o dia a vasculhar gavetas, armários, bolsos e livros.Procurava pelos bilhetes, papéis dobrados.Queria saber, descobrir.Onde, quando, como.O amor o enfeitiçou...!



Deitou-se sobre o tapete do quarto, e encolheu-se esperando, desejando, rezando e pedindo que a dor fosse embora...Fechou os olhos e adormeceu ...

3 comentários:

  1. Cara Amiga Carpe Diem,

    Muito bonito este seu post.

    Dum determinado ponto de vista ele é perfeitamente verdadeiro e sentido. É assim com não sei quantos biliões de pessoas.

    Não haverá que ultrapassar este tipo de dualismo para irmos mais alto e mais além?
    Talvez que seja este o tempo de tentarmos ultrapassar as nossas limitações, no amor, na vida, na nossa percepção da realidade...

    Um grande abraço

    José António

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  2. Muito lindo! Saber quando o amor começou ou quando ele terminou, em que momento? Se bem que nem adianta...Ele chega ou desaparece sem aviso!um beijo,chica

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  3. Cara Amiga Sandra,

    Vi agora que assinou um dos seus comentários com esse nome.

    Voltei para lhe agradecer e para lhe pedir que não interprete mal o meu comentário acima.

    Claro que o compreendo. Claro que muita gente sente e proceder daquela maneira.

    O que pretendi dizer é que nós poderemos ultrapassar o gosto/não gosto; quero/não quero; e todos os outros dualismos, para um patamar em quetalvez consigamos ver que tudo está interligado, que a VIDA É TODA UMA.

    Um grande abraço

    José António

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