segunda-feira, 19 de janeiro de 2009



MINHA GEOMETRIA

Era 1 de janeiro e soprava um vento novo.E ali naquele tanto de areia eu me senti poeta, a transitar os olhos na horizontal e os sonhos na vertical, geometria doida debaixo de sol impiedoso. Não lembro onde deixei meus chinelos. Estão escondidos em algum lugar entre a suavidade dos grãos de areia e o cheiro de amaciante das toalhas. Estão enterrados em algum compartimento que não sei o nome, em algum fim de tarde que não sei ao certo se é acinzentado ou vermelho.Lembro-me que rabisquei na areia algumas poucas letras, querendo lembrar tudo que eu planejava para o novo ano. Por alguns segundos eu tentei calcular o turbilhão de coisas que aconteceriam, mas me dei conta que eu não tinha a fórmula. E nem teria. Meu pensamento já se perdia na areia quando veio a maré beijar meus pés e levar o sabor da sua pele de volta pra água, em outra orla. Fechei os olhos bem fechados - porque eu não queria mais depender da visão para congelar o instante - e respirei. Ao soltar o ar, percebi que deixei ali enterrado tudo o que não serviria para as próximas semanas. Eu quis não deixar morrer o que ainda era belo. Pensei em tudo aquilo que eu não conseguiria prever e senti o vento do mar me sorvendo os pulmões de fé. Naquela hora eu não precisava de nada.

Esses rios de pensamentos correm para onde? Perguntei á mim mesma!


Era 1 de janeiro e há meio copo em cima da mesa. Tento enchê-los de lágrimas, mas os encho apenas de vazio.
É quase dez e estou atrasada. É tempo de subverter