quarta-feira, 23 de junho de 2010

Hoje eu acordei cor de rosa!...


Não sei por que não era vermelha. Era cor-de-rosa. =/
Sei que acordei, fui ao banheiro e... quando olhei no espelho, eu tava Boba San sabor TutiFrutte.
Meu pijama derretia numa calda vermelha, e eu cheirava a marximélou. O espelho soltava estrelinhas e conversava comigo. Sentei-me no vaso e fiz xixi. Na verdade não era xixi. Era alguma coisa como Gueitoreide sabor morango, dum rosa-choque tão choque que, quando eu me levantei, antes de dar descarga, o banheiro inteiro se iluminou com uma luz ofuscantérrima, como se a Xuxa tivesse acabado de chegar do planeta dela. Como o pijama já estava todo derretido no chão, eu fiquei pelada, e entrei no banho. Quando liguei o chuveiro, não caiu água, mas açúcar de confeiteiro. Então eu desliguei, fiquei toda melada, meu pé grudou no chão e não despregava nunca, como se eu tivesse pisado em duzentos chicletes ao mesmo tempo. A minha calcinha, que era branca, estava cheia de rendinhas rosa-bebê.
Foi então que deu tilt na minha cabeça. Aquela calcinha era branca. Ou melhor, havia sido branca, e sem rendinhas!
Era lisa. Uma pequena calcinha branca e lisa, sem costura, fininha dos lados, sem etiqueta. Aquela calcinha era a minha preferida, porque não passava informações, entende? Era simplesmente isso: "Eu sou branquinha, lisa, alta e sem costura. =] E tenho um sutiã que combina comigo." Só. Só isso ela dizia, mais nada!
Mas naquele dia não. Minha calcinha branca e lisa dizia que era rosa-bebê, que tinha rendinhas e era doce.
Logo a minha calcinha branca!
Ela quase sorria pra mim, e seria um sorriso lânguido. Se ela tivesse olhos eles estariam cheio de rímel e brilhantes, e se tivesse boca estaria lambuzada de um gloss cor-de-rosa com porpurina. Eu não sei o que foi aquilo.
Fiquei tão assustada que voltei pra cama. Fechei os olhos e senti que tudo girava num aspiral vermelho e branco, que parecia um graaaande pirulito. Só deu tempo de ouvir meu coração batendo, e cada batimento soava como uma bola de chiclete explodindo dentro de mim, impregnando tudo de cor-de-rosa e de doce. Aos poucos fui deixando de ouvir os estouros, deixando de sentir os cheiros, e o sabor de morango com chocolate foi sumindo da minha boca...
Minha cabeça ficou parecendo um algodão doce, e adormeci de novo.