quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Esquecer, poderia ser tão natural quanto piscar.





                                                                                                                                                                          

Deveria existir uma fórmula do esquecimento. 
Algo simples de ser resolvido sem precisar 
de grandes conhecimentos. Uma mistura de física, química e matemática, que se aprendesse na escola. 
Algo que fizesse o sorriso vir à tona e os olhos secarem em instantes. Esquecer deveria ser algo como ligar para alguém, escrever um bilhete, comer uma bolacha, ver um filme. Fácil, rápido e indolor. É uma pena. Mas esquecer não acontece para quem é de carne e osso. Esquecer não acontece pra quem tem coração. Engana-se quem pensa que é só na mente que permanecem as lembranças, meu corpo todo precisaria de um banho de esquecimento. Esquecer, poderia ser tão natural quanto piscar. A gente pisca e pronto, esquece tudo aquilo que dói, esquece a saudade, esquece a mágoa. Pisca com um pouquinho mais de força e pronto – esquece a pessoa.
 
 Camila Heloisa

By San

Ainda lembro o que passou...
Eu, você, em qualquer lugar...
Dizendo: “Aonde você for eu vou”.

[Marisa Monte]



segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Alguma coisa latejava lá dentro...

Uma imensidão de emoções apaixonadas tomando todo o coração preso à fascinação de Intensamente amar. Era um amor fazendo cócegas de coisa boa de sentir, de viver... Tudo isso se vislumbrava ao descerrar as cortinas da saudade enquanto uma lágrima evidenciava a tamanha carência de um querer vivendo à sombra de uma eterna ausência... 

(Cida Luz) 

Alguma coisa latejava lá dentro, um burburinho que vinha de lá do fundo. Uma espécie de choro sem dor. Era gratidão, eu sabia. Meu peito chorava com delicadeza, sem rasgar-se. Fazia reverências à vida que eu desisti de levar e que agora me leva. Sabe quando dentro da gente alguma coisa se sente profundamente grata? Quando os olhos não conseguem admirar o tamanho da grandeza do mundo e de tão felizes ficam miudinhos? Foi bem assim. Meus olhos ficaram miúdos diante do mundo. Meu coração, de tão feliz, não fez alarde. Tão agradecido por todas as belezas que me cobrem. Se sentindo imenso, na mais alta nuvem, no mais azul céu. Visualizando o quão completas são as coisas, como elas são decididas e se resolvem sozinhas. Quão generoso tem sido cada problema comigo, com você, com todos nós. Nenhum deles foi capaz de reduzir nossa doçura. Nenhum deles foi capaz de diminuir nosso sorriso, nem mesmo o tom da nossa voz foi alterado. E meu coração deu pulinhos aqui dentro, profundamente grato pelos instantes de paz em que consigo me perceber. Instantes em que me encontro aqui dentro, tão pequena. E me abraço e me agradeço por perpetuar esperanças. Por nunca desistir de amar ainda que doa. Por não ter vergonha de pedir desculpas, de pedir licença, de pedir pra voltar. Este choro manso é choro de coração agradecido. E mesmo que ainda nenhum final feliz tenha me encontrado – agradeço a força e a coragem desta eterna espera.


 By San


 (A vida é leve quando não supervalorizamos ninguém.)