quarta-feira, 3 de abril de 2013

Batalha interna...

Ah, não sei não. Não é do meu destino ser moderada. Não está em mim, não entendo. Tomo cinco gotas de floral três vezes ao dia. Escuto músicas com sons de chuva. Tenho frases “zen” espalhadas pela casa. Procuro meditar. Adoro final de semana no mato. Ando descalça. Invento letras pra espantar mau-olhado. Mas quer saber? Tudo com o que eu me importo ME IMPORTA MUITO. Me suga, me leva, me atrai, se funde com tudo o que sou e me consome. Toda. Por inteiro. Sorte minha me doar tanto – e com tal intensidade – e ainda sair viva dessa vida.
Li por aí que homens têm de ser DIRIGIDOS e mulheres têm de ser CONTROLADAS. Alguém já ouviu falar isso? Foi o autor Carlos Castaneda que escreveu. É, pessoal. Há muita verdade escondida ali, naquela simples frase maluca: homens precisam de direção e nós, mulheres, apenas de controle. CONTROLE SOBRE NÓS MESMAS, devo dizer. Porque direção – por mais que a gente negue e afirme estar perdida – a gente tem. Mulher nasceu com um sexto sentido aguçado e nosso “não-saber” é mais sábio que a própria razão. Duvida? Devo admitir que às vezes também duvido. De mim. Moro no lado ocidental do planeta, mas nasci amiga da lua. E me vejo por horas na rua, procurando explicações plausíveis pra tudo. Uma contradição? Pode ser. Mas uma coisa eu aprendi no susto. A gente tem um poder – dentro da gente – que não tem tamanho. E pra mim, canceriana e exagerada, esse é um desafio que me faz ficar cara a cara com quem pode, às vezes, se tornar a minha pior inimiga: eu mesma. Nunca me disseram que a maior batalha acontece aqui, bem dentro da gente. (Ou já me disseram e eu não entendi direito: frases só fazem sentido quando estamos prontas pra ouvi-las.).
Por isso, hoje, com toda a minha birutice e uma vontade de aprender que não acaba, eu pego minhas fraquezas. Deixo-as enfileiradas. E as estudo como se minha vida dependesse disso. É. Com o autocontrole nas mãos, um propósito debaixo do braço e nossos inimigos internos dormindo, podemos – quem sabe? – nos tornar guerreiros impecáveis. Ou – se não – apenas sorrir mais. O que pra mim já vale a luta.

Fernanda Mello.

By San


A vida ensina a gente que é preciso ser inteiro naquilo que vive se quiser ser realmente feliz. Então, demore mais no olhar, deixe as palavras para depois, desculpe-se mais tarde, fique um pouco mais, voe mais alto, sonhe mais longe, diga que ama, repita que ama, cante que ama - Ame! Despreocupadamente, verdadeiramente e profundamente.



terça-feira, 2 de abril de 2013

Pessoas que não me interessam...

Pessoas rasas não me interessam. Estas estão sempre preocupadas demais com a aparência, com o que os outros vão pensar a seu respeito. Estão sempre dando nomes aos sentimentos, procurando sentido em tudo o que fazem. Escolhendo antecipadamente as melhores palavras para então se pronunciar. São falsos altruístas que vivem aguardando o melhor momento. Anseiam sempre uma entrada triunfal. Passam a vida toda sem sentir alguma coisa pra valer, sem se deixar doer ou se transformar em cacos. O medo antecipa o fim e tudo acontece sempre às bordas da vida.
Pessoas rasas se ocupam de cultivar sentimentos líquidos e palavras miúdas. E apesar de parecerem autossuficientes, têm mais medo do que muitos de nós. Colecionam amizades interesseiras e amores desinteressados.
Essa gente rasa, meu caro, é muito perigosa. Porque aqueles que têm sentimentos demais, como a gente, acaba mergulhando muito depressa no mar deles, e quando se dá conta, mergulhou sozinho. E fica lá no fundo, completamente imerso e perdido. Enquanto isso, a pessoa rasa continua lá, te olhando da superfície com um ar de contentamento tão maléfico que suga toda a sua esperança de um dia emergir novamente. Por isso, tenha cuidado! 
O mundo está cheio de gente rasa por aí, e essa gente se mistura facilmente em nossas vidas, de forma que nem percebemos. Usam disfarces perfeitos com gestos muito bem elaborados e sorrisos que hipnotizam. Com abraços falsos e promessas vãs, batizam-nos com beijos inesquecíveis e sonhos que parecem bons, mas não passam de pesadelos.
Um velho amigo me ensinou uma tática que nunca falha, e desde então passei a me safar de gente rasa com mais facilidade. Olhe sempre nos olhos do outro, e se possível toque o coração dele. Falo de tocar mesmo, estender o teu braço e colocar a mão no peito do outro e sentir o que pulsa lá dentro. Porque, meu amigo, com os olhos e com o coração não se brinca. Não há verdade que se esconda tanto e que seja capaz de enganar um olhar, ou que possa forjar outras batidas dentro do peito. E não há nada que essa gente rasa mais tema no mundo do que isso: ser tocado por alguém que sente de verdade e ser olhado profundamente por alguém que não tem medo e que não sabe fingir.

A Sombra do Mar : Camila Heloíse.
By San
"Todo en el Universo está interconectado...No puedes arrancar una flor sin molestar a una estrella."