Ele era domínio, ela era tentação, dois perigos dançando na contramão.
— Vem cá, minha doce insanidade, sussurrou o Coringa, com malícia no olhar.
— Só se prometer me enlouquecer, respondeu Arlequina, aproximando-se devagar.
Entre beijos roubados, mãos atrevidas desenhavam segredos, e a noite, cúmplice dos seus excessos, fechava as cortinas para o mundo inteiro.
Ele a provocava.
Ela o desafiava.
Ele fingia o domínio.
Ela sabia o poder que tinha.
E quando os lábios finalmente se encontraram, a loucura esquecia o próprio nome. Porque há paixões que não pedem juízo, não conhecem limites, não sabem ser metade.
São beijos com gosto de perigo, abraços que viram incêndio.
E naquela Gotham de sombras e desejos, o Coringa sorria, Arlequina ardia…🔥🔥🔥
Dois corações perigosamente imperfeitos, fazendo do caos a sua forma e poesia. ❤️🔥🖤🔥
Hoje, o espelho olhou-me de um jeito estranho. Como se, em uma espécie de simbiose telepática, quisesse saber por onde andavam os meus sonhos escondidos.
Respondi-lhe:
— Ora, espelho! Já não disponho do mesmo tempo. Por que me tomas por insensata?
Ele, com olhos de amoroso entendimento, mas sem qualquer piedade pela minha desculpa, respondeu-me cruamente:
— Faça a tua hora! Faça a tua hora!
Fiquei a pensar...
Se pudéssemos, de fato, fazer a nossa hora, não haveria atrasos, tampouco pressas. Haveria, sim, a ardente ânsia de realizar-se, de acontecer para si mesmo, de dar corpo àquilo que, há tanto tempo, insiste em florescer dentro de nós.
A realização pode tardar, mas nem sempre falha. Às vezes, o que falha é a intensidade do bem-estar que imaginávamos sentir ao alcançá-la. Esperamos tanto de nossas conquistas que, quando finalmente chegam, descobrimos que a felicidade não obedece, necessariamente, às nossas expectativas mais primitivas.
Os pássaros fazem a sua hora. Contudo, obedecem à própria lei instintiva, que os conduz para o norte quando o frio anuncia outros caminhos. Não se atrasam para ser quem são. Não se apressam para chegar antes de si mesmos. Simplesmente seguem o chamado que lhes habita o ser.
E nós? Quantas vezes contrariamos o nosso próprio chamado? Quantas vezes adiamos a vida em nome de obrigações, expectativas alheias e medos que nem sequer nos pertencem?
Escasso é o tempo de quem não se respeita!
Ao retornar ao lar, fui imediatamente ao encontro do espelho. Queria compartilhar com aquela parte de mim o acontecimento grandioso que, silenciosamente, se desenrolava em meu íntimo.
Chamei meu reflexo.
Mas já não encontrei os mesmos olhos.
Diante de mim, havia olhos imensos, brilhantes, profundos como o próprio mundo. Olhos que pareciam ter atravessado fronteiras invisíveis e regressado trazendo consigo uma verdade que antes desconheciam.
Senti-me só.
Mas, pela primeira vez, compreendi a necessidade particular da solidão. Há momentos em que precisamos nos afastar do ruído do mundo para escutar o que, dentro de nós, finalmente encontrou coragem para falar.
Algo de ruim havia partido de mim.
E, em silêncio, pedi-lhe:
— Não volte!
Eu precisava apenas de tempo. Um tempo de convalescença da alma, uma espécie de pós-cirurgia íntima.
Meus átomos, minhas partículas, meus pedaços e meu ser inteiro precisavam de tempo para assimilar a transformação, acomodar as novas verdades e gravar, em cada fragmento de mim, as informações que a experiência havia deixado.
Nem toda cura acontece quando a dor termina. Algumas começam justamente quando já não somos capazes de voltar a ser quem éramos.
Era preciso respeitar o intervalo entre o que eu havia sido e aquilo que começava a me tornar.
Escasso é o tempo de quem não se respeita!
Quando ampliamos o respeito por nós mesmos, algo se transforma. Muda o olhar, muda o reflexo, muda a maneira de habitar o mundo.
Nossos olhos revelam aquilo que cultivamos em nosso interior, e o nosso olhar ganha a forma do conhecimento que adquirimos, das dores que atravessamos e das verdades que, enfim, ousamos reconhecer.
Somos muito mais do que pensamos ser. Ainda assim, refletimos, a cada instante, aquilo que verdadeiramente somos.
Talvez a grande sabedoria não esteja em correr contra o tempo, tampouco em esperar que ele nos conceda uma hora perfeita.
Talvez esteja em aprender a reconhecer a nossa própria hora — aquela que não se mede pelos ponteiros, mas pela coragem de nos escutarmos, pela dignidade de nos escolhermos e pela delicadeza de respeitarmos os nossos próprios processos.
Porque há sonhos que não morreram: apenas aguardam que voltemos a olhar para eles.
Há versões de nós que não desapareceram: apenas esperam que tenhamos coragem de encontrá-las.
E há momentos em que a vida não nos pede pressa, nem explicações, nem promessas.
Pede apenas que não nos abandonemos.
Que façamos a nossa hora.
Que sejamos, enfim, o lugar onde a nossa própria alma possa repousar sem medo.
Gosto de imaginar que minha linhagem de bruxas atravessou séculos. Que ela nasceu em um tempo distante, quando reis erguiam impérios e o mundo ainda misturava o sagrado ao mistério. Um tempo em que mulheres conheciam o poder das ervas, da lua, das águas, da intuição e da cura. Curandeiras, bruxas ancestrais, magos, parteiras, alquimistas, linhagem estelares e guardiões de antigos saberes. Muitos tentaram silenciar essas vozes.
Muitas bruxas foram perseguidas. Muitas morreram enforcadas, queimadas pela intolerância ou condenadas por carregarem conhecimentos que seu tempo não compreendia. Mas jamais foram caladas, porque uma verdade não desaparece quando uma voz se cala. Ela atravessa gerações.
Talvez seja por isso que sinto um chamado tão profundo para acolher, cuidar, transformar e curar. Não apenas feridas do corpo, mas também as da alma. Como se cada passo meu fosse uma continuação da caminhada daqueles que vieram antes de mim.
Eu honro essa herança, com respeito e gratidão. Não para viver presa ao passado, mas para permitir que sua sabedoria floresça no presente. Se existe uma magia que escolho carregar, ela não nasce do poder sobre os outros, nasce do amor, da compaixão, da coragem de transformar dor em cura, medo em consciência e escuridão em luz.
E enfrento as batalhas espirituais contra as trevas, com força e honra aos meus ancestrais, pois, quando a gente carrega uma luz que brilha intensamente, incomodamos as trevas e os trevosos.
Essa é a herança que escolho manter viva: a de uma alma que atravessa o tempo sem deixar de acreditar que curar também é um ato de resistência e amor...
Hoje aconteceu algo muito bonito dentro de mim, não foi um grande acontecimento, não houve aplausos, nem fogos de artifício, foi apenas um entendimento. E, às vezes, os maiores milagres acontecem exatamente assim: em silêncio, num momento qualquer.
Hoje eu compreendi que não aceito mais menos do que mereço. Nem na vida. Muito menos no amor.
Passei tanto tempo oferecendo o melhor de mim, acreditando que amar era entregar tudo, suportar tudo, compreender tudo... até perceber que, enquanto minhas mãos estavam sempre cheias de flores para alguém, as minhas nunca recebiam sequer um jardim.
Hoje isso mudou.
Descobri que o meu coração não nasceu para implorar presença, nem para convencer alguém a permanecer. Ele nasceu para ser amado com a mesma intensidade com que ama.
Eu sou uma Rainha de Copas. Carrego um coração imenso, capaz de acolher, cuidar, compreender e amar profundamente. Mas hoje aprendi que um coração generoso não precisa aceitar migalhas para provar o seu valor.
Também existe uma Imperatriz e uma rainha de espadas, dentro de mim.
Ela sabe o quanto vale. Caminha com delicadeza, mas não se curva diante da falta de amor. Ela não disputa atenção, não mendiga afeto e não entrega a própria luz para iluminar quem escolheu permanecer na escuridão.
Se você estiver lendo esta carta, espero que nunca tenha esquecido desta mulher que nasceu hoje, a mulher que finalmente entendeu que reciprocidade não é um prêmio; é o mínimo.Que amar alguém nunca pode custar o amor por si mesma.
Que quem recebe o meu tempo, a minha paz, a minha lealdade e o meu coração precisa chegar com as mãos cheias também. Não de presentes, mas de presença, respeito, cuidado e verdade.
Hoje eu fechei uma porta dentro de mim. A porta da escassez, da ideia de que eu precisava dar tudo para merecer ser escolhida.
Não preciso.
Quem enxergar o meu valor caminhará ao meu lado. Quem não enxergar, seguirá outro caminho. E, pela primeira vez, isso já não me assusta. Espero que você continue honrando essa decisão. Nunca mais diminua o tamanho da sua alma para caber no coração de alguém.
Você nasceu para ocupar o seu próprio trono.👑
P.S.: Espero que você nunca tenha esquecido da promessa que fizemos hoje: jamais entregar um coração de rainha a quem nunca soube construir um reino ao lado dela. 🤍✨🩷
Há meses que chegam fazendo barulho. Outros chegam como julho: silenciosos, leves, quase como uma oração sussurrada ao coração.
Recebo este novo mês como quem atravessa uma ponte depois de uma longa tempestade. Não sou mais a mesma pessoa que começou a caminhada. As lágrimas me ensinaram delicadeza. As despedidas me ensinaram coragem. Os recomeços me devolveram a mim.Hoje compreendo que a verdadeira cura não acontece quando a dor desaparece, mas quando ela deixa de comandar os meus passos. E o renascimento não é tornar-se outra pessoa; é lembrar de quem sempre fui antes de me perder tentando caber em lugares que nunca foram meus.
Julho me encontra mais inteira. Mais consciente do meu valor. Mais fiel à minha essência. Aprendi que amor não pede que eu diminua a minha luz. Que paz não combina com excessos de medo. E que a minha alma merece repousar onde também é escolhida.
Recebo este novo mês com confiança e gratidão. Caminho em paz, ajo com amor e confio no tempo da Vida. Tudo o que é meu encontra, sem esforço, o caminho até mim. Tudo o que já cumpriu sua missão parte em paz, levando consigo apenas a gratidão pelo que um dia me ensinou. Que julho seja um jardim florescendo dentro de mim. Que cada amanhecer me lembre que a vida sempre oferece uma nova oportunidade de recomeçar. E que eu jamais me esqueça de que não preciso mais me perder para amar, porque encontrei o lugar mais bonito onde poderia morar: dentro do meu próprio coração.
Acordei hoje com uma nostalgia suave de ser feliz. Não doeu — foi mais como um chamado baixo, daqueles que vêm quando a alma pede colo.
Pensei em você.
Pensei em mim.
E escrevo com cuidado, como quem fala baixinho para não assustar o que é frágil, mesmo parecendo forte. Escrevo porque o mundo lá fora anda barulhento demais e eu já não consigo fingir que essa tal liberdade que oferecem é real.
Chama-se liberdade, mas cobra caro: exige pressa, aparência, silêncio sobre a dor. Eu não sei habitar esse lugar. Esse mundo está pesado demais pra mim.
Aprendi que só por dentro sou livre.
A alma não aceita coleiras, não entende vitrines, não se alimenta de coisas. Ela é livre por natureza — e talvez por isso sofra tanto aqui, presa a um corpo que atravessa um mundo falso, material demais, duro demais para quem sente fundo.
Não há espaço verdadeiro para a liberdade nesse chão que confunde valor com preço e afeto com troca. Por isso, sigo procurando minha montanha.
Ainda que ninguém a veja.
Ainda que digam que ela não existe.
Ela existe e sabemos disso.
E é nela que respiro sem pedir licença. É lá que minha alma descansa, longe do sorriso forçado, longe da mentira que virou linguagem comum. Na minha montanha, o tempo anda devagar e o coração não precisa se explicar. Talvez você, aí no futuro, tenha chegado mais perto desse lugar. Talvez tenha entendido que criar o próprio mundo não é fuga, é sobrevivência. Que escolher onde morar por dentro é um gesto de coragem num mundo que insiste em nos quebrar.
Conta pra mim, em pensamento, se você conseguiu; preciso saber.
Se um dia você sentir saudade deste tempo, lembre-se: foi aqui que decidi não me perder. Foi aqui que comecei a construir, mesmo em silêncio, a minha morada. Eu sigo daqui, acreditando que você é continuação, não fuja.
P.S: "Me olhe e me acolha com carinho, porque eu te amo."