Acordei hoje com uma nostalgia suave de ser feliz. Não doeu — foi mais como um chamado baixo, daqueles que vêm quando a alma pede colo.
Pensei em você.
Pensei em mim.
E escrevo com cuidado, como quem fala baixinho para não assustar o que é frágil, mesmo parecendo forte. Escrevo porque o mundo lá fora anda barulhento demais e eu já não consigo fingir que essa tal liberdade que oferecem é real.
Chama-se liberdade, mas cobra caro: exige pressa, aparência, silêncio sobre a dor. Eu não sei habitar esse lugar. Esse mundo está pesado demais pra mim.
Aprendi que só por dentro sou livre.
A alma não aceita coleiras, não entende vitrines, não se alimenta de coisas. Ela é livre por natureza — e talvez por isso sofra tanto aqui, presa a um corpo que atravessa um mundo falso, material demais, duro demais para quem sente fundo.
Não há espaço verdadeiro para a liberdade nesse chão que confunde valor com preço e afeto com troca. Por isso, sigo procurando minha montanha.
Ainda que ninguém a veja.
Ainda que digam que ela não existe.
Ela existe e sabemos disso.
E é nela que respiro sem pedir licença. É lá que minha alma descansa, longe do sorriso forçado, longe da mentira que virou linguagem comum. Na minha montanha, o tempo anda devagar e o coração não precisa se explicar. Talvez você, aí no futuro, tenha chegado mais perto desse lugar. Talvez tenha entendido que criar o próprio mundo não é fuga, é sobrevivência. Que escolher onde morar por dentro é um gesto de coragem num mundo que insiste em nos quebrar.
Conta pra mim, em pensamento, se você conseguiu; preciso saber.
Se um dia você sentir saudade deste tempo, lembre-se: foi aqui que decidi não me perder. Foi aqui que comecei a construir, mesmo em silêncio, a minha morada. Eu sigo daqui, acreditando que você é continuação, não fuja.
P.S: "Me olhe e me acolha com carinho, porque eu te amo."
Sempre você e eu.,.🩷
Música para recordar ✨🫶

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