Sempre fui uma mulher de terra, mas minha alma, de alguma maneira, sempre pertenceu ao mar. Houve um tempo em que sonhei com horizontes infinitos, com a liberdade de navegar sem pressa, conhecer o mundo e descobrir lugares que até então só existiam na minha imaginação. A vida, porém, desenhou outros caminhos, e aquele sonho acabou ficando guardado em algum lugar entre a saudade e a esperança.
Às vezes, quando olho para o mar, sinto uma nostalgia inexplicável, como se reconhecesse nele uma parte de mim que nunca chegou a partir. Imagino como seria deixar para trás o perfume da terra molhada, o verde das árvores e os jardins conhecidos para ganhar, em troca, um jardim imenso, do tamanho do céu e dos meus sonhos. Eu me imaginava navegando por águas tranquilas e outras nem tanto, descobrindo pequenas vilas, povos e culturas distantes. Contemplando montanhas cobertas de neve, auroras boreais dançando no céu, vales escondidos, mares de águas mornas e geladas. Castelos antigos, cidades históricas, pássaros cruzando oceanos e amanheceres tão bonitos que fariam o coração esquecer por alguns instantes a existência do tempo.
Sonhava com noites sob um céu bordado de estrelas, com o balanço suave das ondas e o vento soprando a bombordo e a estibordo, conduzindo-me a lugares onde jamais imaginei chegar. E, entre um porto e outro, encontrar a liberdade que tanto desejava. Mas há sonhos que a vida não nos permite viver. E talvez uma das saudades mais profundas seja justamente aquela que sentimos de algo que nunca aconteceu. Uma saudade sem lembranças, mas cheia de imagens, sentimentos e possibilidades. Ainda existe, entretanto, uma montanha que me chama. Um caminho que um dia deixei para trás e que talvez represente minha busca mais verdadeira: reencontrar minha essência, minha espiritualidade e aquela paz que não depende de lugar algum.
E o amor… ?? Ah, o amor! Aquele com quem eu gostaria de dividir os amanheceres, contemplar o pôr do sol e descobrir que até os lugares mais distantes se tornam lar quando estamos ao lado de quem amamos. ❤️
Hoje compreendo que nem todos os sonhos se transformam em realidade. Alguns permanecem como cartas que nunca enviamos, viagens que nunca fizemos e paisagens que conhecemos apenas através da imaginação. Mas nem por isso deixam de ser preciosos. Afinal, também somos feitos daquilo que sonhamos e não vivemos.
Porque, embora eu não tenha vivido a vida que um dia imaginei sobre as águas, continuo sendo aquela mulher que sonhava com o infinito. E talvez seja esse o meu destino mais bonito: ter os pés na terra, mas guardar para sempre uma alma feita de mar. 🌊⛵🌙
By San💞

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