sexta-feira, 29 de junho de 2012

Quando entendi o TEMPO, me entendi...

Quando veio, mostrou-me as mãos vazias, as mãos como os meus dias, tão leves e banais. E pediu-me que lhe levasse o medo, eu disse-lhe um segredo: "Não partas nunca mais"... De vez em quando o medo abraça a nossa vida e leva para bem longe a nossa coragem. Deixa-nos à deriva, abandonados a própria sorte, esperando pelo resgate generoso da suave mão do tempo. O tempo, que mesmo sem querer, acaricia a nossa inesgotável esperança; o tempo que desfaz armadilhas do destino; o tempo que ultrapassa as circunstâncias e transforma sonhos em realidade. O tempo que triunfa sobre as nossas tantas incertezas. O tempo, lugar onde a alma passeia leve, desviando-se do parvo conceito de condição desfavorável. De vez em quando a voz dos sentimentos cala; fica muda… De vez em quando, a visão desfocada dos acontecimentos embaça o nosso próprio conceito de entendimento. E a gente se desentende… Desentender-se da vida toda que existe em nós, faz com que, de tempos em tempos, a gente se transforme, sem perceber, em um enorme deserto inabitável para os melhores sentimentos. Lugar vazio e árido. Lugar onde o tudo para e o nada acontece. E eu que sou frágil ao extremo – embora tenha força suficiente para permanecer -, quando sou vazio desértico, me desfaço em mil pedaços que são levados pelo vento… Mas o tempo reconstrói; o tempo modifica; o tempo recolhe os nossos vazios; o tempo reúne os nossos pedaços e recompõe a nossa essência. Esse tempo que reconhece o nosso imenso valor diante da vida… Esse tempo é amor que ilumina desertos! Depois de desfazer as armadilhas do destino; depois de libertar-nos do medo, a generosa mão do tempo, ajuda-nos a reescrever a nossa própria história. E a quatro mãos, de verso em verso, nossa história recomeça e se transforma em poesia. Uma poesia livre, de rima solta, sem métrica certa, mas de amor imenso. Amor! Este amor que é infinito, que faz do silêncio, prece; do medo, coragem; da vida, sonho possível. Amor esse, que alimenta os nossos anseios, e faz dos nossos dias instantes inteiros de alegria e agradecimento. Esse amor também é tempo. Tempo de casa cheia e coração habitado; tempo de sentimentos dançando do lado de dentro. Tempo que renova os nossos desejos e clareia a nossa intenção com relação a tudo aquilo que existe em nós. O tempo! Único capaz de se sobrepor aos fatos e ganhar o exaustivo embate entre razão e sensibilidade... "By San"

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